A Direita portuguesa
mobiliza-se, em fúria, contra o Syriza. Ela teme que em Portugal possa
aparecer um outro Syriza , que lhes possa roubar espaços e prebendas.
Não pode usar o argumento de tal força não estar legitimada - já que a
maioria absoluta ficou perto. Por tal facto, trata de questionar a
viabilidade do respectivo programa político e de indagar sobre a
natureza das suas alianças pós-eleitorais. Este fenómeno é curioso, por
denunciar uma flagrante incoerência. Em
Portugal, nem o CDS é democrata-cristão, nem o PSD é social-democrata. É
notória, por parte destes dois partidos, uma completa abdicação de
princípios. Mas a Direita não interpela esta sorte de demissões de
consciência. Faz-lhe mais jeito increpar ... a Grécia.
Se a Grécia
conseguir, junto das instâncias europeias, alcançar alguma renegociação,
por pequena que seja, tal significará a exautoração pública daqueles
políticos que vieram dizer, desde a primeira hora, que "a solução era só
uma" e que "não existiam quaisquer alternativas". Quando esta Direita
se queixa da "maniqueísmo" das forças que não lhe são afectas,
esquece-se desta pequena nota: desde o princípio desta gravíssima crise
social europeia que as forças da Direita, em Portugal, foram as mais
intransigentemente maniqueias, ao sublinhar que "a solução era só uma" e
que " não existiam quaisquer alternativas".
Se a Grécia falhar a
sua missão, quem irá falhar também é a Europa. Não, decerto, essa Europa
arrogante, soberba perante a miséria dos pobres, insensível perante o
drama das famílias, revendo-se, altaneira, nas missas financeiras com
que vão adulando a voracidade dos "mercados financeiros" e do grande
sistema bancário internacional, que mais não é do que a rapacidade
institucionalizada. Mas perderá essa outra Europa humanista, generosa,
tolerante, dialogante, tal como a quiseram Monet, Willy Brant e até
(imagine-se !) Konrad Adenauer ( democrata-cristão ... a sério !).